Tempo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Noite de Reis


   Cantar os Reis era uma das tradições da aldeia, formavam-se grupos de pessoas de todas as idades e iam de casa em casa cantar às portas. Depois de terminarem a canção mandavam entrar os cantores e ofereciam comida e bebidas em sinal de agradecimento e conviviam todos, havia grande proximidade entre os habitantes.
Esta tradição realizava-se entre o dia de Natal e o dia de Reis.




***

Graças a Deus que chegamos aos degraus desta escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada

Ó anjo celeste alcançai victória
Os anjos do ceú cantando a glória

Um raminho, dois raminhos, três raminhos ao seu peito
Viva lá o Sr. ______ que estes vão a seu respeito

Ó anjo celeste alcançai victória
Os anjos do ceú cantando a glória

Quem diremos nós quem viva no rabo de uma raposa
Viva lá o Sr. ______ e também a sua esposa

Ó anjo celeste alcançai victória
Os anjos do ceú cantando a glória

Quem diremos nós quem viva num ramo de salsa crua
Viva lá os seus filhinhos que é quem brilham nesta rua.

Ó anjo celeste alcançai victória
Os anjos do ceú cantando a glória

Quem diremos nós quem viva
Mais os anos que deseja
Viva também uma rosa que recebeu na igreja

***

Quando alguém não abria a porta descantavam os Reis

***
Estes Reis que aqui cantamos tornamos a descantar
Que estes barbas de farelos não tem nada que nos dar.

Ó anjo celeste alcançai victória
Os anjos do ceú cantando a glória

***

Havia muitos mais versos mas não nos foi possível fazer a sua recolha.
Se souber mais algum, ajude-nos a completar o poema.

Passagem de Ano em Edroso 2010/2011







As amigas de infância não faltaram.


Três gerações de primas.
e cá está o primo também.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Plantas de uso medicinal

Esta planta era usada para curar pequenas feridas ou cortes. O caule da planta contem um suco de cor amarelo-acastanhada que servia para desinfectar feridas, à semelhança do betadine usado actualmente.

Nome: Ceruga
Onde se pode encontrar: Em vários sítios, mas principalmente nos muros de pedra.
Quando se pode encontrar: Praticamente durante todo o ano em zonas frescas.
Dimensão: Planta rasteira.














Esta planta era usada para curar feridas ou cortes de maior dimensão. Aquecia-se a folha e untava-se com azeite para ficar macia e aderir à pele. Colocava-se na ferida sendo atada com um pano para não sair do lugar. Servia de pomada e de cicatrizante.

Nome: Folha da trolha
Onde se pode encontrar: Em vários sítios frescos.
Quando se pode encontrar: Praticamente durante todo o ano.
Dimensão: Pode atingir 1 m de altura dependente do local onde cresce.

Se quiser completar informações, agradecemos a sua colaboração.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Famílias de Edroso

É bom recordar...

Família de João dos Santos (João de Deus). Foto tirada em 1958 faltando as 3 filhas mais velhas que já tinham partido para Lisboa em busca de uma vida melhor.
Os progenitores: Esmerinda e João, infelizmente já falecidos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Festa de fim de ano em Edroso!

Festa de fim de ano na nossa aldeia. Pois bem, já está confirmada!

A direcção da ASCRAEL confirmou e convida todos a comparecer na Associação para contar em decrescente os segundos para o próximo ano.

Venha, traga a família e amigos, junte-se a nós para festejarmos uma passagem de ano diferente.

Por favor, confirme a sua presença para podermos estimar o número de pessoas presentes.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


E porque é Natal...



Quadra festiva a que ninguém fica indiferente, onde se celebra o nascimento de Jesus, sendo um feriado católico, muitos não católicos festejam esta quadra.
Independentemente das crenças, é nesta quadra que nos lembramos mais dos que estão distantes e não vemos, pensamos nos que partiram da nossa vista mas não da nossa vida e somos um bocadinho mais brandos com os outros.

E porque é Natal desejamos a todos os familiares, amigos e conhecidos assim como aos que visitam este espaço um Santo e Feliz Natal!



sábado, 18 de dezembro de 2010

A matança do porco

O animal, à espera...

A captura.



Chamuscar o porco (agora utiliza-se um maçarico a gás; antigamente eram usados pequenos "facheiros" (molhos) de palha.








Rapar a pele e os pelos depois de chamuscados.


Lavagem (agora já começa a ser introduzido outro modernismo (máquina de lavagem à pressão); apesar de tudo,  este processo de lavagem geralmente ainda é feito com recurso a pequenas pedras ásperas que vão sendo deslizadas pelo corpo do animal, depois de ter sido molhado). 







Tirar a "couracha" e o "balho" para depois abrir a barriga.
 




As mulheres a separar as entranhas do porco, para depois do almoço irem lavar as tripas que serão utilizadas no fumeiro (esta é a primeira das muitas tarefas femininas na matança).






O animal pendurado, a decorrer e a arrefecer, para no dia seguinte ser "desfeito" (desmanchado). Ainda que se seja necessário algum conhecimento para "desfazer" o porco e separar as suas diferentes partes e carnes para diferentes enchidos, não nos podemos esquecer do ditado: "Não há lameiro mal segado, nem porco mal desfeito".        

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fumeiro tradicional


Antes de fazer o fumeiro houve a matança do porco.
A tradição é mantida na nossa aldeia, entre portas, limitada ao núcleo familiar.
Aqui fica um exemplo das iguarias confeccionadas pela nossa gente, as alheiras, os chouriços de carne, os salpicões e o bucho para degustarmos com o olhar.


 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Histórias da minha Aldeia

Vamos iniciar o tópico Histórias da minha Aldeia, na esperança que todos os que nos visitam tenham algo a contar sobre tempos passados na aldeia de Edroso ou na região. Há sempre coisas engraçadas e histórias contadas que não se devem perder no tempo porque fazem parte da cultura de um povo. Quem não ouviu já os seus pais, avós ou bisavós contarem episódios, mais ou menos alegres, do seu tempo e do tempo dos seus antepassados?

Contamos consigo para que não se perca a nossa identidade!


História contada por Sância dos Santos:
     "Eu conheço uma história que me foi contada quando eu era miúda (e já lá vão sessenta e tal anos) pela Tia Lebrinha de Edroso.
Andava ela com o rebanho de ovelhas nos montes perto de casa, quando lhe apareceu uma mulher que ela não conhecia, dizendo que era uma moura encantada.
A moura pediu-lhe que lhe fosse buscar 3 fios de lã de cores diferentes, ao que ela respondeu que não podia porque estava a guardar as ovelhas. A moura disse-lhe que podia ir descansada que ela tomava conta das ovelhas até ao seu regresso e que não contasse a ninguém sobre ela porque sendo ela uma moura encantada se se soubesse o seu segredo, perderia o encanto.
A tia foi então buscar os fios de lã a casa, mas não conseguiu guardar o segredo porque a mãe achou estranho ela estar em casa e ter deixado o gado sozinho e fez-lhe contar o que se passava.
Quando a tia regressou para junto do rebanho e da moura encontrou o gado sozinho mas são e salvo, e a moura já não estava lá, tinha desaparecido.

Ainda hoje me pergunto, será que era mesmo uma moura e que perdeu o encanto?

Antigamente falava-se muito dos mouros e havia muitas lendas relacionadas com a fraga da moura que fica para os lados das Poulas e do Picotelo, já não me recordo o nome do local, já lá vão muitos anos mas sei onde fica.

Na fraga existia umas escadas talhadas na pedra que desciam para um tipo de sala onde existiam escavadas na rocha uma espécie de tigelas, dizia-se que era lá que as mouras comiam.

Na minha juventude iamos lá muitas vezes, e toda a gente conhecia a fraga da moura."